terça-feira, 20 de março de 2007

Bicicleta faz 269 Km/l

Olhem só!! Um cara calculou quantas calorias havia em um galão de gasolina e viu o quanto ele conseguia andar de bicicleta com essa energia. Surpreendente!!! Ele fez fez isso com acompanhamento e os cálculos tem razoável precisam.

http://onegallon.blogspot.com/2006_06_01_onegallon_archive.html

sexta-feira, 9 de março de 2007

I'll give you anything, ev'rything... if you want things.


I've got a bike.
You can ride it if you like.
It's got a basket, a bell that rings and
Things to make it look good.
I'd give it to you if I could,
but I borrowed it.
You're the kind of girl that fits in with my world.
I'll give you anything, ev'rything
if you want things.
(...)





imagem: www.turtlemoon.com
letra: bike - pink floyd(syd barrett)

domingo, 4 de março de 2007

Cidadãos da Terra

"Basta com o asfáltico terror da classe média motoriazada! Todo dia, as massas oferecem novas vítimas em sacrifício ao último patrão a quem se dobraram: a auto-ridade. O monóxido de carbono é seu incenso. O barulho de centenas de buzinas e motores é seu mantra sagrado. A visão de milhares de automóveis infecta ruas e avenidas. A bicicleta poderá nos libertar desse monstro, porque é um meio de transporte mais humano e reencantado.
O AUTOMÓVEL é um meio de transporte que só se pode admitir em zonas escassamente habitadas. Os automóveis são meios de transporte perigosos e totalmente inapropriados para a cidade. Existem meios melhores e mais sofisticados para nos deslocarmos de uma cidade para outra. O automóvel representa uma solução ultrapassada para esse tipo de utilização. Não há mais tempo para políticas institucionais e velhos expedientes. Aquilo de que necessitamos neste momento é uma solução radical: NÃO AO TRÂNSITO MOTORIZADO! SIM ÀS BICICLETAS COLETIVAS.
O ambiente social das cidades é ameaçado pela caótica explosão do trânsito, que, em si, nada mais é do que ridiculamente levar às últimas consequências o direito de propriedade. O número de carros estacionados é cada vez maior, sempre maior que o daqueles em movimento. O uso do automóvel perdeu sua vantagem maior: fornecer um meio de transporte rápido de um lugar para outro. O depósito de propriedades privadas em solo público (o estacionamento, como se costuma chamá-lo) engole não apenas o espaço desstinado ao fluxo do trânsito, mas vai também devorando, dia após dia, pedaços cada vez maiores do espaço vital. Só se pode obter um uso eficiente do veículo a motor mediante a utilização coletiva do total de carros, e esse total deve ser limitado ao número realmente necessário. É escandaloso ver uma porção de pessoas caminhando debaixo da chuva quando, na rua a seu lado, há tantos carros inutilmente estacionados, travando o trânsito. Também eles poderiam muito bem estar sendo utilizados.
A elite motorizada age com arrogância porque sabe que a indústria e a polícia estão do seu lado, levam a cabo seus crimes porque tem certeza de que terão respaldo. São consumidores hidrocarburodependentes, mimados pelos traficantes de petróleo: as companhias petrolíferas, que criam e moldam governos, estilos de vida, espaços urbanos e paisagens geográficas conforme suas necessidades. As companhias petrolíferas e os hidrocarburodependentes estão empenhados em criar um mundo em que ir ao trabalho, à escola, fazer compras ou divertir-se sem sentar a bunda num automóvel e sem deixar uma pequena oferta em dinheiro à indústria se tornará impossível. Os motoristas utilizam um meio de transporte social e ambientalmente irresponsável e irracionalmente legal, que todo ano lança na atmosfera uma quantidade de substâncias equivalente a seu peso.
A bicicleta simboliza a reivindicação do direito de e do prazer de não seguir os modelos de consumo, de não consumir. A bicicleta é a reencarnação do cavalinho-de-pau dos dadaístas. Mas, do ponto de vista mítico, a bicicleta é muito mais: é um istrumento primário de iniciação. Pensem bem: jamais alguém que nos queira mal poderá nos ensinar a pedalar. Como em toda iniciação que se preze, há perda de sangue, e a ferida que marca a distinção (os joelhos e as mãos arranhadas). E a maravilha de perceber o próprio corpo entrando em harmonia, superando o embaraço inicial dos novos movimentos! A consciência repentina de que o verdadeiro equilíbrio está antes no movimento corporal do que no estatismo. A renovada intimidade com nosso sistema neuromuscular auxiliada pela oração chiante das rodas no asfalto. Uma meditação completa, em contemplação ativa, entre a paisagem e o fluxo do trânsito, os quais, enquanto você está pedalando, trocam de papéis: em movimento a primeira e congelado o segundo. Assim como nadar e fazer amor, andar de bicicleta está programado em alguam ponto de nossos genes: uma vez que se aprendeu, é impossível esquecer. O modelo nunca ultrapassado do deslocamento socialmente responsável, sem desperdício de recursos, sem agressão à Mãe Terra, não estressante e, como se não bastasse,divertido.
O grau de civilização de um país é diretamente proporcional ao respeito que ele tem pelos próprios ciclistas. Andar de bicicleta não implica nenhuma estúpida exibição de poder, requer apenas otimismo e coragem. Veículo igualitário, propiciador da intimidade (nunca deram carona no cano ou na garupa para ninguém), a bicicleta é granola dos meios de transporte. Se os povos pré-colombianos ignoravam a roda para os deslocamentos, só a utilizando para os brinquedos, se os tibetanos a concebiam exclusivamente para seus instrumentos de oração, a bicicleta é a síntese esplêndida de todas as utilizações possíveis da roda: jogo, transporte e oração."

André Luís Gomes



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